Solenidade decorre de PL aprovado pela Câmara em 2020 para valorizar a tradição pesqueira
ALCIDES MAFRA/ASSESSORIA CÂMARA PB
14 de julho de 2026 – 17h
PORTO BELO — Nesta quinta-feira (16), às 19 horas, a Câmara Municipal promove mais uma edição da honraria Pescador Portobelense. A homenagem, instituída pela Casa em 2020 para “reconhecer personalidades que, no passado ou no presente, colaboraram ou colaboram com a pesca artesanal ou industrial na cidade de Porto Belo”, chega a este ano com o rumo traçado na valorização da herança cultural, mas ciente de que a pesca segue relevante até os dias atuais.
De acordo com o secretário municipal da Pesca, Frank Max Marques, entre 2025 e 2026, a atividade obteve uma renda bruta de pouco mais de R$ 70 milhões. São recursos provenientes do recolhimento de tributos e que ajudam a compor o caixa municipal, além dos cofres estadual e federal. Da parte de quem produz, o raciocínio é de que, embora esteja mais difícil manter os botes abastecidos e operando dentro do que diz a lei, ainda é possível viver do mar.
Essa é a conclusão, por exemplo, de Ricardo da Silva. Aos 45 anos, ele representa uma geração mais recente da força de trabalho que atua na pesca do camarão. “Com o passar dos anos tudo aumentou, e a nossa mercadoria não valorizou”, explica. “Só que é assim: a gente que batalha, que tá diariamente no mar, pra gente acaba dando”.
Ricardo é um dos cerca de 800 pescadores em atividade no município, segundo cálculos da Secretaria da Pesca. Mais de dois mil, se forem contabilizados os inativos. Nessa segunda categoria está Laureci Cláudio. Aos 68 anos de idade, o nativo de Santa Luzia lembra da época em que o camarão, principal produto dos pescadores do bairro, não possuía valor: “Ninguém queria, porque ninguém sabia o que era”.
Embora ainda tenha um bote, Laureci arrisca sair apenas nos primeiros dias. É o que a idade permite, avalia. Assim, complementa a aposentadoria com o entralhe de redes de pesca.
Também nascido em Santa Luzia, Adailton Pontes, 52, vive realidade diversa. Tem como principal praça o litoral paulista e credita tudo o que conquistou ao trabalho no mar. Já viveu momentos de tensão em um convés, porém nenhum como o ocorrido faz alguns meses, quando uma abordagem da fiscalização do Ibama, inicialmente protocolar, redundou em tiros contra ele e prisão em Cananeia — revertida pelo pagamento de fiança por colegas. “Foi uma situação complicada na minha vida, visse?”.
São histórias como essas que a Câmara pretende levar ao plenário na solenidade desta quinta-feira. Histórias que trazem ao presente trajetórias marcadas de nostalgia, mas com o senso prático de quem precisa, cotidianamente, pagar as contas e dar dignidade aos seus. Como lembra Frank Marques, a atividade ainda é forte no município e, através dessa força, garante um lugar de relevo na economia catarinense: “Para nós, a pesca é tudo”.




